Apresentação

O repositório institucional da Biblioteca de Socorro tem como objetivo armazenar, preservar, disseminar e possibilitar o acesso, de maneira facilitada, às obras raras. Promovendo maior visibilidade aos documentos inerentes a história de Socorro (SP) e seus munícipes.

Lino Guedes

Poeta socorrense, Lino Guedes, nasceu no final de década de 1890, em Socorro (SP). Filho de escravos teve seus estudos custeados pelo Coronel Olympio Gonçalves dos Reis. Seus estudos começam na própria cidade, contribuindo para o Jornal de Socorro, um informativo importante para cidade na época, porém ainda jovem se muda para Campinas (SP) onde desenvolveu ainda mais seu gosto pelo jornalismo e pela literatura.

Na poesia autopublicou nove livros de poesia, nos quais cinco deles a biblioteca possui. Por sua raridade disponibiliza de forma online: “Negro Preto Cor da Noite (1936)”, “Urucungo (1936)”, “Mestre Domingos (1937)”, “O Pequeno Bandeirante (1937)”, “Sorrisos do Cativeiro (1938)”.

Para acessar, basta tocar na capa do livro

GUEDES, Lino. Negro preto cor da noite
GUEDES, Lino. Urucungo
GUEDES, Lino. Mestre Domingos
GUEDES, Lino. O pequeno bandeirante
GUEDES, Lino. Sorrisos do captiveiro

Lino Guedes: o precursor da negritude na literatura brasileira do século XX

Por Mayara Nardes

Lino Guedes nasceu em Socorro (SP) poucos anos após a abolição da escravatura (diversas datas aparecem e estão em estudo). É filho de José Pinto Guedes e Benedita Eugênia Guedes, negros que aqui foram escravizados, tendo como irmã Gracinda Guedes. Seu pai faleceu quando Lino tinha apenas dois meses de vida e a família passava por dificuldades – uma vez que a abolição da escravatura não resultou em políticas de inclusão e desenvolvimento social para os pretos.

Foi nessa época que o Coronel Olympio Gonçalves dos Reis “apadrinhou” Lino, guiando-o aos estudos. Lino Guedes cursou os primeiros anos escolares em Socorro (SP) e desde muito jovem começou a se interessar pelo jornalismo, tendo trabalhado no Jornal de Socorro, cujo diretor era o sr. Aníbal Câmara. Lino também fundou o informativo O Espião, em colaboração com Walderino Dantas, O Bilontra, com Sócrates Bellintani e O Juvenil, órgão dos coroinhas da Matriz de Socorro.

Mudando-se para Campinas (SP) para prosseguir sua formação, em 1912 já colaborava em diversos jornais estudantis da Escola Normal Primária, quando ocupou ainda o cargo de revisor no Diário do Povo (com cerca de 16 anos), sendo também correspondente dos jornais Capital, Correio Paulistano e Plateia, de São Paulo. Em 1918, tornou-se revisor chefe do Correio de Campinas. Em 1923, começou a atuar como redator chefe do jornal Getulino – Órgão Para a Defesa dos Interesses dos Homens Pretos. E, em 1925, fundou o mensário A União – Órgão da União Cívica dos Homens de Cor.

Viveu as últimas décadas de sua vida na cidade de São Paulo e, na área do jornalismo, atuou também no Jornal do Comércio, O Combate, A Razão, São Paulo-Jornal, Folha da Noite e Diário de São Paulo. Uma significativa parte da produção jornalística de Lino é voltada a reflexões sobre a condição dos negros no Brasil, o que se expressa, mais fortemente, em sua produção na chamada Imprensa Negra, da qual foi um dos maiores expoentes.

O posicionamento contestador de Lino Guedes em relação ao lugar ocupado pelo negro na sociedade pós-abolição, evocando a afirmação racial como temática principal de seu trabalho, não se limitou ao jornalismo. Na Literatura, Lino é apontado pela crítica como o primeiro escritor do começo do século 20 que se aceitou negro e publicou essa condição e suas consequências, sendo, por isso, considerado o precursor da negritude na Literatura Brasileira. Sua vasta produção literária conta com 13 livros, sendo 9 de poesia: O Canto do Cysne Preto (1927), Negro Preto Cor da Noite (1936), Urucungo (1936), Mestre Domingos (1937), O Pequeno Bandeirante (1937), Dictinha (1938), Sorrisos do Cativeiro (1938), Vigília do Pai João (1938), Nova Inquilina do Céu (1943) e Suncristo (1951). Em prosa, Lino publica Luiz Gama e Sua Individualidade Literária (1919), Black (1927) e Ressurreição Negra (1929).

Lino Guedes – o nosso Lino Guedes – faleceu na primeira semana de março de 1951 (dia 3 ou 4, em estudo) por insuficiência cardíaca e foi sepultado no cemitério do Araçá em São Paulo. Três anos mais tarde foi publicada uma edição completa de suas obras. Hoje, quase cem anos depois das suas primeiras publicações, a obra e legado de Lino Guedes são objetos de estudo, existindo livros, artigos, reflexões e teses publicados no Brasil e fora do país sobre esse autor importante não apenas à Literatura Negra, mas para a Literatura Brasileira, não apenas à história de Socorro, mas à do Brasil.

Álbuns sobre Socorro (SP)

Os Álbuns de Socorro são famosos por resguardar, de alguma maneira, a história da cidade e de seus habitantes ilustres. Ao longo da história nasceram com objetivos de registrar o progresso da cidade. A Biblioteca de Socorro disponibiliza dois Álbuns: “Álbum de Socorro 1922-1923. Comemorativo do centenário da independência” e “Estância turística de Socorro. Álbum do sesquicentenário 1829-1979”.

Para acessar, basta tocar na capa do livro

SOUZA, J. M.; SILVA, C. F. (org.). Álbum de Socorro 1922-1923. Comemorativo do centenário da independência
BARBOSA, B. G. S.; OLIVEIRA, G. D.; NETTO, J. Z. (org.). Estância turística de Socorro. Álbum do sesquicentenário 1829-1979

Obras raras

LOBATO, Monteiro. Narizinho arrebitado (1921)

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